Santa Fé marcha novamente para lembrar a trágica enchente de 2003

Santa Fé marcha novamente para lembrar a trágica enchente de 2003

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SANTA FÉ – Moradores dos bairros mais humildes desta capital se mobilizarão nesta quarta-feira para defender a trágica reivindicação de enchente que causou o transbordamento do rio Salado há 23 anos. Deixou 43 distritos do extremo oeste inundados, 100 mil pessoas que perderam tudo, 158 mortos e danos que a Organização das Nações Unidas (ONU) estimou em 2,878 milhões de dólares naquele ano, o equivalente a 12% do PIB do estado na época.

Como todos os anos, o rali terá partida às 17h30. da Plaza del Soldado, no centro geográfico da cidade, até a Plaza de Mayo, em frente ao Edifício do Governo, para memória, obras pendentes e melhoria do sistema de água da cidade.

Vista aérea do bairro cigano de Santa Fé, 2 de maio de 2003Marcelo Gómez – Arquivo / LA NACIÓN

Na chegada dos manifestantes será lido um documento, serão ouvidos os nomes dos que morreram na enchente e haverá números artísticos.

Embora o que aconteceu não tenha o significado daquele momento e dos anos seguintes, a data continua a ter forte influência nos habitantes desta capital; que no dia 29 de abril de 2003 a enchente destruiu quase um terço desta cidade, lamentando tudo o que significou então, e que ainda permanece um dia de dor para muitos.

No passado, as mobilizações eram convocadas para exigir justiça com slogans escritos nas bandeiras. “Continuamos a exigir justiça” e “Inundados pela memória”.

Silos de abastecimento não identificados são carregados pela corrente ascendente do rio Salado, em Santa Fé, em 1º de maio de 2003. ALI BOURAFI – Arquivo/AFP

Para além de cada situação pessoal, a situação vivida por uma parte significativa da cidade levou à instauração de um processo judicial pelo crime de negligência grave.

A justiça decidiu que os únicos dois condenados no caso, Edgardo Berlin, ex-ministro das Obras Públicas, e Riccardo Fratti, ex-diretor da Companhia Hidráulica; Eles permanecerão em liberdade após a Câmara Criminal manter a pena suspensa de três anos que lhes foi imposta pelo juiz Luis Octavio Silva. Outro dos acusados, Marcelo Alvarez, que foi prefeito de 1999 a 2003, morreu nos primeiros dias de abril de 2018. O então governador Carlos Reuteman foi afastado do caso.

Conforme noticiado anteriormente, os peritos oficiais do caso constataram que a água entrou com proteção incompleta, embora tenha sido oficialmente aberta, e que a ordem de evacuação deveria ter sido emitida pelo menos um dia antes.

A situação vivida por grande parte da cidade levou à instauração de um processo judicial pelo crime de destruição por negligência grave.Anibal Greco – Arquivo / DYN

O pico da enchente do Rio Salado, que acumulou transbordamentos de chuvas intensas registradas a montante, ocorreu em 29 de abril de 2003, quando cobriu todos os bairros da zona oeste durante a noite e forçou evacuações em massa pelas forças federais.

A cena era dramática, com pessoas vagando sem rumo e helicópteros sobrevoando a faixa escura da cidade. No dia 30, ao anoitecer, os trechos do Rodoanel ganharam dinamismo, o que acalmou os moradores das regiões mais altas.

Mas a água acumulada demorou várias semanas a sair dos bairros de lata e, apesar de tudo, não houve epidemias como o esperado.




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