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Numa rua tranquila de Caballito, encontra-se um casarão antigo repleto de plantas, jardins nativos e exóticos que fazem esquecer o ritmo frenético da cidade. Assim que você passa pela porta do Chill Garden, o barulho fica para trás. o verde aparece, luzes quentes escondidas nas árvores e diferentes ambientes que convidam a desfrutar do silêncio por horas. “Moro na esquina metade da minha vida e sempre alguém contou um mito ou outra história sobre a casa. Muitos chegam a afirmar que ela foi construída no século 19 e que pertence a Leandro N. Alemi”, diz o empresário gastronômico Juan Cruz Joya, que trouxe de volta o brilho deste bairro esquecido em meio à pandemia.

Lugares com identidade
Juan está ligado à gastronomia desde muito jovem. Quando terminou o ensino médio, ele e um amigo decidiram abrir um pequeno bar. Sempre gostou de criar lugares com identidade. “Comecei por tentativa e erro e aprendendo, sempre com a intenção de criar coisas diferentes, lugares onde eu mesmo gostaria de ir como cliente”, afirma. Embora já tivesse outros empreendimentos gastronômicos, principalmente em Palermo, tinha o sonho pendente de abrir um no bairro onde cresceu.

Nos últimos anos, Caballito tem florescido com novas ofertas gastronómicas e viu nisso um grande potencial. A oportunidade, no entanto, foi interrompida bruscamente devido à pandemia de Covid. Uma tarde, ao voltar para casa com a máscara, ele redescobre a velha casa congelada no tempo. Ele imediatamente contou aos colegas e juntos começaram a formar um novo projeto. “Chegou na hora certa. Sentimos que era hora de descentralizar a gastronomia. Nos divertimos muito trazendo novidades para o bairro da minha infância.”ele acrescenta com entusiasmo.

A primeira coisa que o impressionou foi o contraste entre a magnífica arquitetura e a desolação do parque. “Vimos ali uma clara oportunidade de transformação”, explica ele. A propriedade carregava anos de história e lendas do bairro. Alguns vizinhos afirmavam que pertencia a Leandro N. Alemi e que sua origem remontava ao século XIX. “Além da coisa exata, o importante para nós foi respeitar o caráter histórico e não apagá-lo”. diz: A recuperação foi lenta e profissional. O objetivo dos sócios nunca foi modernizá-lo completamente, mas sim preservar a alma do local. “Aos poucos fomos reformando sem perder o original, adaptando-o ao uso atual e ampliando o espaço verde. Preservar sua essência sempre foi uma prioridade.”ele garante. Eles começaram lentamente com um pequeno food truck e foram incentivados a crescer com o tempo.

O coração do projeto é um jardim com mais de 120 espécies
Sem perceber, o jardim acabou se tornando o coração do projeto. Ali coexistem mais de 120 espécies de plantas e flores, muitas das quais são indígenas. “A gente foi montando ao longo do tempo e entendendo o espaço até chegar no que é hoje. Foi um esforço enorme, principalmente do meu sócio Marcelo. Hoje conseguimos criar um verdadeiro oásis no centro da cidade”, orgulha-se. O nome Chill Garden surgiu desse sentimento. “Uma pessoa passa pelas portas da casa e entra em outro mundo, mundo verde no centro geográfico da cidade. “Você pode se perder no cimento”, diz ele.

Quanto à ambientação, nenhum aspecto da decoração do espaço foi deixado ao acaso. Cada ambiente tem uma identidade diferente: áreas mais intimistas, recantos escondidos entre as plantas e mesas compridas para grandes grupos de amigos. “Cada um tem sua energia. Não queríamos algo uniforme, mas ambientes diferentes que convidassem a viver experiências diferentes. A ideia é que você volte para explorá-la muitas vezes e cada vez descubra algo novo, algum detalhe que você não tinha notado antes”, diz ele.
Natureza morta contemporânea com produtos sazonais

A oferta gastronómica combina o espírito da natureza morta contemporânea com pratos fartos e algumas reviravoltas inesperadas. O chef Tupac Guantai ingressou recentemente, trazendo um visual mais técnico e um cardápio focado em produtos sazonais. Entre os mais solicitados peccetto milanês com presunto e queijo Sorrentinos com molho rosa. Outra opção imperdível é o lombo com purê cremoso de batata-doce e salada de rúcula e parmesão.. Quando a temperatura cai, a massa artesanal é a estrela: canelone de carne refogada e legumes assados ou nhoque de batata com goulash. Se o plano for com amigos, recomendam experimentar pratos “comparchill”. Entre eles, o Supremo Napolitano ou Fugazetta com Erva Cozida. Para um momento doce, há clássicos como pudim misto e vulcão de doce de leite. Também outras novidades como o Vulcão de Chocolate Dubai com Colher de Sorvete Americana.

“Gostaria que meus filhos se divertissem como fazemos hoje”
Em pouco tempo, eles conseguiram se conectar com clientes de sua vizinhança. “O momento mais lindo é quando o lugar deixa de ser seu e passa a ser das pessoas. Vê-los se conectar com o espaço, aproveitar e voltar é o que mais aprecio”, admite. Por lá já passaram diversas personalidades, incluindo vários campeões mundiais, entre eles: Leandro Paredes, Papu Gomez, Franco Armani e Marcos Acuña. Depois daquela aposta nascida na pandemia, ele foi incentivado a abrir outro empreendimento ao lado: a Cacto, pizzaria de estilo napolitano que também arrasa. Juan sonha com Chil continuando a crescer e transcender o tempo. “Gostaria que os meus filhos e os meus parceiros pudessem desfrutar com os amigos quando crescerem, como fazemos hoje”, conclui a partir do oásis urbano onde o tempo parece passar um pouco mais devagar no meio do verde.
