Ele estava entediado com engenharia, era joalheiro, terapeuta e tentava responder por que o cérebro não para e cria problemas quando está tudo bem.

Ele estava entediado com engenharia, era joalheiro, terapeuta e tentava responder por que o cérebro não para e cria problemas quando está tudo bem.

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A cabeça humana às vezes funciona como uma aba de internet que está aberta há semanas. Ele salta de uma versão para outra, revisa cenas imaginárias, revisita conversas que terminaram dias atrás, ensaia para novas discussões e cria desastres com a precisão de um diretor obsessivo. Cada pensamento implora pelo próximo. Toda dúvida requer uma investigação mais aprofundada. A sensação de pausa está longe.

Daniel Bogiaizyan observa esse mecanismo há décadas. Psicóloga especializada em ansiedade, incerteza e confusão mental, Ele construiu grande parte de sua carreira em torno de uma questão que diz respeito à vida moderna. por que a mente insiste em prever o perigo mesmo em períodos de aparente estabilidade? Sua carreira profissional, porém, começou longe do sofá.

Quando o cérebro não para. uma das disciplinas em que se especializouCréditos de imprensa – Shutterstock

A psicologia surgiu após uma experiência desiludida com as ciências exatas. “Comecei a estudar engenharia no HMU, nessa época fiquei muito entediado e passei mal – lembrar. Paralelamente, iniciei formação e terapia individual com técnicas psicodramáticas.” A tradição familiar ligou-o ao mundo da joalharia e aos 22 anos já tinha o seu próprio negócio. Essa independência económica contribuiu para uma reviravolta decisiva.

Sua visão é baseada em uma ideia central. A ansiedade atua como uma estratégia mental que visa antecipar perdas ou garantir resultados favoráveis.. O problema surge quando esse sistema de alarme se torna constante e consome energia, atenção e descanso. Nesta entrevista, ela explica por que a preocupação excessiva pode se tornar uma armadilha mental difícil de desativar e quais ferramentas ajudam a restaurar a calma e a clareza.

– Por que estamos preocupados, mesmo quando não há nenhuma ameaça concreta diante de nós?

– A preocupação é um processo mental estratégico que visa prever ou prevenir um resultado negativo ou garantir um resultado positivo. O alerta afirma que a ansiedade que acompanha não é tão fácil de desativar, principalmente se a pessoa estiver preocupada em alcançar bons resultados. Mesmo quando não há nenhuma ameaça específica, você pode sempre ficar alerta monitorando possíveis riscos ao seu bem-estar.

-Em que ponto a preocupação, que pode ser uma ferramenta adaptativa, se transforma em uma condição que nos rouba energia e clareza?

– Para se preocupar é preciso estar alerta, alerta e tenso. A ansiedade deixa de ser adaptativa quando se torna excessiva. Existem duas métricas importantes: a quantidade de tempo que uma pessoa dedica a um determinado conteúdo e o nível de desconforto que isso causa. Uma pessoa pode encontrar um arranhão na porta do carro e passar o dia inteiro de trabalho pensando em como as pessoas são descuidadas e nos danos causados. O carro continua o mesmo, mas ele terminou o dia exausto e com dor de cabeça.

– Qual é a diferença entre lidar com um problema real e nos deparar com cenários hipotéticos que existem apenas em nossas mentes?

-Quando alguém está lidando com um problema real, pode definir especificamente a ameaça e avançar para ações específicas para enfrentá-la. Outra bem diferente é passar mentalmente por vários cenários negativos na tentativa de controlar o que você teme. Isso cria uma ilusão de controle. parece que você está fazendo alguma coisa, mas na realidade você está apenas preocupado.

– Muitas pessoas pensam que se pararem de se preocupar são irresponsáveis. De onde vem essa conexão de preocupação e comprometimento?

– Existem crenças que atuam como impulsionadoras da ansiedade. Uma delas é pensar que alguém é sério e responsável. Então a recusa desse Estado é interpretada como irresponsabilidade. Também há pessoas que pensam que a preocupação os mantém preparados caso algo ruim aconteça, ou que a preocupação é uma forma de demonstrar carinho; “Eu me preocupo porque eu te amo.”

– Como a ansiedade excessiva afeta o corpo e a vida cotidiana além do plano mental?

-A ansiedade tem uma dimensão física e mental. A fisioterapia apresenta sintomas de ansiedade ou tensão, como taquicardiafalta de ar, sudorese ou contratura. A dimensão mental é a ansiedade. Sem tensão não há ansiedade, e quando essa tensão persiste por muito tempo, surgem consequências concretas: fadiga, problemas de sono, tremores frequentes, contraturas ou sensação constante de cansaço.

-É possível aprender a lidar de forma diferente com nossos pensamentos repetitivos sem tentar controlá-los o tempo todo?

– O quanto tentamos controlar os pensamentos suprimindo-os. “Não quero pensar nisso”, menos chances teremos de conseguir isso. O que geralmente funciona melhor é focar em problemas significativos ou em distrações naturais, engajando-se em atividades que sejam realmente interessantes para a pessoa.

– Qual o papel da incerteza neste fenómeno? Por que algumas pessoas são especialmente difíceis de tolerar?

-A intolerância à incerteza desempenha um papel central na ansiedade excessiva. Pode ser expresso como dificuldade em tolerar o cinza, impaciência, necessidade de certeza absoluta ou verificações constantes. Muitas vezes é uma combinação de dois fatores: uma necessidade urgente de categorizar tudo e uma tendência a pensar no pior cenário possível para se sentir preparado para um resultado adverso.

Preocupando-se demais: o último livro de BogiaizianCortesia da imprensa

– Num contexto social dividido pela crise e pela sobrecarga de informação, estamos mais inclinados a preocupar-nos mais?

– Os humanos têm capacidades limitadas de processamento de informações. O contexto atual de tecnologia e estímulos constantes aumenta a incerteza em vez de reduzi-la. É um exemplo cibercondriaBusca compulsiva de informações sobre saúde na Internet, o que acaba multiplicando dúvidas e alimentando um ciclo constante de ansiedade.

-Que práticas específicas ajudam a interromper um padrão de caça antes que ele se agrave?

– O primeiro passo é perceber que entrou no processo de ruminação. Esses pensamentos repetitivos e persistentes geralmente são tentativas de soluções malsucedidas. Também ajuda você a se distanciar do que a mente produz e a perceber que todo pensamento não tem valor ou merece uma análise interminável.

– Como a história pessoal – infância, padrões familiares – afeta nossa tendência à preocupação?

– Muito. Pessoas que cresceram sob estresse ou sob controle de longo prazo tendem a naturalizar a ansiedade e têm dificuldade em reconhecer seu lado prejudicial. Os modelos parentais ensinam como responder à incerteza. Embora o oposto também possa acontecer. pessoas que cresceram em ambientes descuidados criam ansiedade excessiva como forma de compensar essa falta de segurança.

– Qual o papel da autocompaixão no processo de eliminação da ansiedade excessiva?

– A autocompaixão ajuda especialmente no perfeccionismo negativo e nas exigências extremas. Ei!Envolve reconhecer as próprias limitações e aceitar que ninguém pode controlar tudo.mesmo com a melhor das intenções.

– Se alguém sente que sua mente nunca descansa, qual seria o primeiro passo possível para recuperar a calma?

A insônia é uma das consequências do pensamento excessivo e prejudica o dia a dia.Créditos de imprensa – Shutterstock

– Redução da tensão física. O combustível da tensão é a ansiedade. Também ajuda a ocupar a mente com atividades menos tóxicas ou menos produtivas, como praticar esportes, jogar cartas ou fazer algo recreativo.. O jogo e os espaços ineficazes ajudam muito a sair do estado de vigilância constante.




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