Os reitores e reitores reunidos no Conselho Interuniversitário Nacional (CIN), juntamente com os representantes da Federação das Universidades Argentinas (FUA) e da Frente Sindical das Universidades Nacionais, organizaram esta noite uma coletiva de imprensa na sede da organização para ratificar a quarta marcha universitária federal convocada para a próxima terça-feira, 12, de 5 a 17 de maio.
Durante a reunião, foram levantadas questões difíceis sobre a posição da liderança de Javier Mille, foram destacadas decisões judiciais a favor do setor universitário e notou-se que as instituições de ensino superior na Argentina atravessam o momento de menor financiamento da sua história. “Estamos num mínimo histórico de 0,4% do PIB. Mesmo com a implementação da lei de financiamento universitário, continuaremos no ponto mais baixo da história”, disse Franco Bartolacci, reitor da Universidade Nacional de Rosário e chefe do CIN.
Quanto à decisão do executivo de desafiar a posição do Congresso, onde o veto à regra foi rejeitado por ambas as câmaras, Bartolacci afirmou que o partido no poder “continua indiferente”, apesar dos progressos no Departamento de Justiça. “Se não é válida a legitimidade inquestionável da lei razoável aprovada pelo Congresso Nacional, se não é válida a ordem do juiz para executar essa lei, que seja válido o voto do povo”, insistiu.
A batalha jurídica começou em outubro de 2025, quando o CIN e os reitores nacionais apresentaram um amparo contra o Estado nacional para uma decisão que suspendia a aplicação da lei. Dois meses depois, em dezembro, o juiz federal Martin Cormick emitiu liminar de emergência contra a comunidade universitária, ordenando-lhe que reconhecesse as atualizações salariais e estipêndios exigidas pela regulamentação.
Sob o lema do equilíbrio fiscal, o Governo manteve a sua posição de negação, afirmando não ter apurado a origem dos fundos e recorreu da suspensão, argumentando que se tratava de um “adiantamento” irrevogável. Porém, no final de março de 2026, a Câmara III do Tribunal Nacional de Apelações do Processo Administrativo Federal, sob as assinaturas de Sergio Gustavo Fernández e Jorge Eduardo Moran, confirmou a decisão de primeira instância e validou a liminar em favor das universidades.
A situação no primeiro trimestre deste ano levou ao aumento das ações das forças sindicais e aos protestos estudantis. Em vez disso, o Executivo decidiu ir mais longe e levou o caso ao Supremo Tribunal Federal, onde pediu aos seus membros Horacio Rosatti, Carlos Rosencrantz e Ricardo Lorenzetti, ambos professores universitários titulares ou sabáticos, que contestassem este cenário.
“Quando o executivo decidiu novamente não fazer cumprir a lei, fizemos o que era apropriado, fomos a tribunal e hoje temos ordens que exigem o cumprimento do executivo e ainda não temos uma resposta”, explicou Bartolacci. A este respeito, pediu para manifestar esta recusa na rua. “Muitos de nós devem estar em todos os pontos do país. Não só nós que fazemos parte da comunidade universitária e científica, mas também de toda a sociedade”, afirmou o responsável do CIN.
Além disso, Bartolacci alertou que as transferências para o sistema universitário diminuíram 45,6% de 2023 até à data, situação que, como referiu, afecta directamente o desempenho das universidades nacionais. Neste contexto, disse que o foco “mais urgente e dramático” é o agravamento dos salários do pessoal docente e não docente, bem como a não renovação dos programas de apoio aos estudantes.
Nesse sentido, o Reitor anunciou que as universidades esgotaram os órgãos institucionais e voltou a apontar para a Casa Rosada. “A Argentina garante a qualquer jovem a oportunidade de receber uma educação pública de excelência, sem qualquer tipo de restrição. Isso nunca pode ser um problema”, afirmou, ao comparar criticamente o investimento nacional com o dos países desenvolvidos.
“Destinam mais de 2% do seu PIB ao sistema científico e universitário. E fazem-no não porque sejam mais generosos, mas porque são mais inteligentes e sabem que a sociedade do conhecimento é estratégica para se poderem desenvolver. Por outro lado, estamos no ponto mais baixo da história”, questionou.