durante a entrevista A NAÇÃOO filósofo Dario Steinsreiberel questionou a necessidade de toda ação diária gerar lucro ou acumulação.
O filósofo explica que fazer filosofia equivale “Coceira onde não coça”uma premissa que desafia as coordenadas pré-estabelecidas da vida cotidiana e destaca a importância de realizar ações que escapam à lógica da performance.
A liberdade neste sentido surge da tentativa de libertar-se das estruturas que aprisionam o indivíduo e manifesta-se como algo inesperado e incalculável, distante da ambição de alcançar a verdade absoluta. “Estou interessado em pensar mais sobre ser livre como uma tentativa de nos libertarmos das várias maneiras pelas quais fomos criados.”disse o especialista.
Sobre a felicidade, o autor cita a sua própria experiência e a visão de Aristóteles para vincular o conceito à realização pessoal; “Prestar atenção. A palavra realização vem etimologicamente de real. Ser feliz significa chegar ao estágio em que você está sendo tão real quanto possível.”
Nesse sentido, menciona também a visão de Epicuro, que associa a felicidade à ataraxia ou tranquilidade da alma, estado que evita vícios desnecessários.
Fabian Marelli
Segundo a especialista, existe uma vertente terapêutica que permite abrir a existência a perspectivas mais sensíveis, críticas e contraditórias, uma prática que permite manter o distanciamento necessário da previsibilidade do mundo.
“Acredito que a filosofia acrescenta outra dimensão à existência, permite-nos existir“Além da sua atuação, absolutamente atravessada pelo princípio da utilidade, pode abrir-se a outras perspetivas: mais sensíveis, mais críticas, mais contraditórias, mais humanas”, explicou o especialista.
“Parece-me que há algo de humano no facto de qualquer ação, qualquer prática que fizermos, podermos fazer, mas também podemos mover-nos e distanciar-nos e pensar sobre o que estamos a fazer. Para mim, isso gera filosofia– acrescentou o especialista.