LA PAZ – Milhares de manifestantes entraram em confronto com a polícia em La Paz nesta segunda-feira, em um novo dia de protestos contra o presidente Rodrigo Paz, enquanto o Congresso debate mudanças legislativas que podem facilitar a promulgação da lei. situação de emergência na crise social e política que atravessa a Bolívia.
Os protestos encorajados pelos sindicatos mineiros, agricultores e organizações de bairro ganharam destaque. quarta semana. Os manifestantes rejeitam as políticas económicas liberais do governo, exigem salários mais elevados e acusam a administração Paz de distribuir combustível de qualidade inferior, que dizem ter danificado milhares de veículos.
O dia começou com uma mobilização que desceu de El Alto ao centro de La Paz. Um grupo tentou entrar na praça principal onde ficam os gabinetes presidenciais e o parlamento. Numa das entradas da cidade, alguns manifestantes tentaram romper o cordão policial com paus, pedras, fogos de artifício e cilindros de dinamite cortados.
A polícia respondeu: gás lacrimogêneo e enviou policiais em motocicletas para dispersar as gangues mais violentas. Jornalistas observaram pelo menos uma dúzia de presos durante os confrontos.
Paralelamente à escalada nas ruas, o Senado aprovou um projeto de lei que retira as restrições legais ao uso do estado de emergência em vigor a partir de 2020. Segundo o jornal El Deber, a iniciativa deve agora ser debatida na Câmara dos Deputados e busca dar apoio jurídico ao governo para ampliar o envio de forças de segurança em meio a cercos e distúrbios.
O projeto visa cancelar o chamado “Lei Eva Kopa”estabelecido durante o governo de transição de Jean Anies. Estes regulamentos regulam artigos da Constituição relacionados com o estado de emergência e estabelecem limites ao uso das forças armadas em conflitos internos.
O deputado da oposição Carlos Alarcón, promotor da medida, afirma que a lei actual “vincula as mãos e os pés do executivo” e impede o Estado de usar “força legítima e legal” em situações de turbulência interna.
A Constituição boliviana, promulgada no governo de Evo Morales, permite a declaração do estado de emergência em caso de crises internas, embora esclareça que os direitos e garantias fundamentais não podem ser suspensos.
A iniciativa atraiu rejeição do vice-presidente e da Central Obrera Boliviana, uma das organizações que impulsionam os protestos. Em comunicado, o vice-presidente alertou que a lei atual procura evitar que o Estado volte a responder aos conflitos sociais com “armas letais”, referindo-se à crise política de 2019, após a saída de Morales do poder.
O presidente boliviano, Rodrigo Paz, anunciou um corte de 50% nos salários dele e de seus ministros nesta segunda-feira, enquanto o país entra na quarta semana de protestos. O evento visa suprimir o conflito social e conter a pressão dos manifestantes que exigem a sua renúncia imediata.
O presidente de 58 anos tomou posse em Novembro passado e enfrenta agora a crise mais premente da sua administração. O anúncio ocorreu num contexto de tensão crescente, marcado pelo cerco à sede do governo e mobilizações em diversas regiões do país.
Agência AFP