NOVA IORQUE – No entanto, a guerra do Irão abalou novamente os mercados globais A cautela ainda prevalece sobre o pânico em Wall Street. Adrian Guzoni, gerente Mercados de capitais de dívida Para a América Latina, o Citi, que participa na Semana Argentina nesta cidade, defende que a liquidez continua a apoiar o sistema financeiro e que a região, e especialmente a Argentina, de onde é originário, pode beneficiar do novo mapa geopolítico.
– Aproximam-se tempos difíceis para os mercados, como em 2008.
– Não sei quanto. Se olharmos para o que era dia da libertação Foi um mês difícil quando Donald Trump anunciou um aumento das taxas, mas a liquidez fez com que o mercado corrigisse posteriormente e continuasse a ter um desempenho. Hoje, pelo menos até a semana passada, vimos um mercado ativo além da volatilidade. Houve uma pausa nos EUA na última segunda-feira, mas depois disso as transações continuaram em bom volume. obviamente O aumento do preço do petróleo num espaço de tempo tão curto obriga-nos a rever os empréstimos afectados por esse preço. Precisamos ver as implicações mais profundas, mas por enquanto A liquidez permanece elevada e isso ajuda as correções a serem rápidas.
— As emissões das empresas latino-americanas cessaram?
– Não. Março é normalmente um mês mais lento para a região, uma vez que os governos soberanos e muitas empresas optam por sair no início do ano. O termômetro será em abril e maio.
– Que perspectivas você vê para a América Latina?
“Os investidores estão bastante positivos. Um fenômeno desde a pandemia próximocom a quebra das cadeias de abastecimento, o que causou algum favoritismo geopolítico em relação à região. O conflito com o Irão reforça esta tendência. Se a isso se somarem mudanças internas que fortalecem as instituições, torna-se um cenário atrativo para o mercado.
– Quão perturbadora foi a política tarifária?
— No início foi um empecilho por causa da incerteza. Mais tarde, os investidores perceberam que o impacto não foi tão profundo. Mesmo para a América Latina, deixou uma mensagem de favoritismo geopolítico. Vimos isso em termos de fundos e transações. o mercado de títulos atingiu um recorde de US$ 180 bilhões.
– Quais países estarão nas melhores posições?
— O maior de acordo com a escala. México devido à sua proximidade com os EUA. O Brasil pelo seu tamanho e porque continuou a atrair investimentos apesar das mudanças políticas. Na Argentina, nos últimos anos, temos visto mais capital em títulos, bem como financiamento de projetos de longo prazo, como o (oleoduto Vaca Muerta Oil Sur) com US$ 3 bilhões. Peru e Colômbia também são atraentes. Há consolidação política nestes dois países que o mercado irá monitorizar, mas são países que o mercado vê como grandes produtores de matérias-primas e produtos de que os EUA e o mundo desenvolvido necessitam.
– Até que ponto a polarização política o afecta?
— Chili foi para Kast vindo de Borich. No Brasil, os candidatos são provavelmente Lula e Flávio Bolsonaro. A Colômbia está mais ou menos no mesmo caminho. Tem efeito, mas depende das instituições. Vemos isso no Peru. fizemos negócios praticamente sem nenhum presidente ou líder sob impeachment. Os investidores não gostam disso, mas sentem-se protegidos pelas instituições que mantêm a economia em funcionamento.
– A Argentina dá essas garantias.
– Está a caminho. Há aspectos mais imediatos da institucionalização, como o fiscal, que foi uma das primeiras frentes de governo. Além disso, estabilidade macro com inflação mais controlada, o que permite às empresas projetar. Isso não acontecerá da noite para o dia, mas os investidores apreciam a direção, incluindo reformas como a reforma laboral.
– Existem muitos programas na Argentina?
— Sim, mas o capital é finito. Que os banqueiros, empresários e políticos estejam aqui esta semana é um bom sinal, e também que os governadores estão participando. O mercado olha para a instituição e não para a pessoa. e que a institucionalização é construída pelo sector privado, pelo governo e pelos líderes políticos.
– A Argentina pode voltar ao mercado?
– O mercado está aberto. Se o governo quisesse fornecer financiamento, poderia fazê-lo.
– O que falta para que os riscos do país diminuam?
– A hora. Não faz muito tempo houve uma reconstrução. É necessário registro como qualquer pessoa que contrai um empréstimo e faz pagamentos regulares. Nesse sentido, é um sinal de que as empresas argentinas estão obtendo um desempenho melhor do que as empresas do país. Isto reflecte uma boa governação empresarial, um bom gerenciamentoque conseguiu cumprir suas obrigações mesmo com restrições cambiais. É uma penalidade para a dívida soberana, mas também uma recompensa para uma comunidade empresarial que honrou os seus compromissos.