No dia 9 de julho de 2014 a vida da jornalista Veronica Brunati mudou para sempre. Enquanto cobria a Copa do Mundo em San Pablo, notícias confirmaram a morte de seu marido, também jornalista, Jorge Topo López, através da rede social Twitter. A tragédia aconteceu quando o carro roubado bateu no táxi em que ele voltava para o hotel. Naquele momento, Brunati se deparou com o desafio de processar a perda e dar a notícia aos filhos, Agustín e Lúcia.cinco e três anos, respectivamente, no aniversário do mais velho.
Conforme relatado no podcast Duelos, o processo subsequente foi complicado. Nos primeiros dois anos, Brunati se sentiu culpada ao tentar retomar as atividades diárias ou desfrutar de momentos de relaxamento. A viuvez, aliada à responsabilidade de sustentar a família, colocou-a numa situação de extrema vulnerabilidade. “Eu me sentia a pior coisa do mundo, era viúva, tinha uma dor na pele e não sabia se conseguiria escrever novamente.”admitiu o jornalista durante a entrevista com Astrid Pikelny. A praticante enfatizou que parte da sua identidade tinha morrido com o marido, o que dificultou a sua reintegração no trabalho numa área que partilhavam estreitamente.
Para superar o trauma, Brunati recorreu a uma técnica de dessensibilização e reprocessamento dos movimentos oculares conhecida como EMDR. Essa terapia permitiu-lhe enfrentar o impacto emocional sem recorrer à medicação psiquiátrica, com a garantia de manter plena consciência para cuidar dos filhos. Apesar dos episódios de agonia e flashbacks, a jornalista optou por continuar a carreira. Em 2018, voltou a cobrir a Copa do Mundo da Rússia, que descreveu não como uma vingança, mas como uma forma de se curar e seguir em frente.
O julgamento dos autores do incidente no Brasil foi outra etapa dolorosa. Brunati optou por não pedir mais anos de prisão, visto que a vida dos agressores também durou pouco. Sua prioridade estava focada em transmitir às crianças um ensino baseado no amor e na gratidão, evitando o ódio e a sede de vingança. Com o apoio de familiares, amigos e colegas do mundo esportivo, como o diretor técnico Pep Guardiola, que mostrou seu apoio público com uma camiseta durante entrevista coletiva, Brunati conseguiu se reconstruir.
Hoje, o jornalista reconhece que o luto está associado à ausência, mas destaca a importância de salvar a alegria. Por meio de terapia e apoio constante, ela conseguiu incorporar a imagem do marido na vida dos filhos. Apesar da incerteza inicial sobre seu futuro como mãe e especialista, Brunati conseguiu retomar o controle de sua vida. A recuperação pessoal da perda foi um caminho gradual que lhe permitiu redescobrir a profissão. Atualmente prepara a sua próxima cobertura global com o mesmo entusiasmo que sempre caracterizou a sua carreira jornalística.
Nós convidamos você a ouvir LutasPodcast de Astrid Pickelny A NAÇÃO; Está disponível no Spotify e no YouTube, como os demais podcasts do LA NACION.
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