Uma reforma que quebra o teto de vidro da Casa de Justiça

Uma reforma que quebra o teto de vidro da Casa de Justiça

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Durante décadasnós, advogados autônomos, lidando diariamente com mesas de ingressos e com as reviravoltas da prática liberal, vimos as competições de MA com uma mistura de ceticismo e resignação. A percepção predominante tem sido a de que o sistema de seleção foi desenhado por e para membros do Poder Judiciário, transformando o ingresso no Judiciário em uma “carreira administrativa”, onde o tempo é mais valorizado do que o talento e onde a boa comunicação é mais útil do que o mérito técnico. O novo regulamento da concorrência proposto pelo Conselho Nacional da Magistratura marca uma viragem histórica que nos convida a finalmente acreditar novamente na possibilidade de uma justiça composta por advogados.

Um dos maiores obstáculos Foi a falta de previsibilidade e a impenetrabilidade do sistema existente para competir pelos advogados mais brilhantes da conferência. O regime actual baseia-se em grande parte nos chamados concursos reactivos quando surgem vagas, abrindo a porta à “acumulação de vagas” numa base discricionária por razões de favoritismo ou conveniência política. Essa imprevisibilidade desanima qualquer profissional sério que precise organizar seu escritório de advocacia e sua vida profissional.

A reforma a proposta altera a lógica do sistema. a regra geral se torna uma competição esperado Isto é vital para os advogados. proporciona um horizonte de participação regular e previsível, permitindo-nos planear a nossa candidatura com a seriedade que o cargo merece. Da mesma forma, a redução dos prazos permite que os processos não demorem para sempre e que as nossas propostas sejam resolvidas num prazo razoável e de acordo com as exigências da profissão. A procrastinação de procedimentos só é benéfica para aqueles que não têm nada a perder simplesmente permanecendo em seus cargos.

o sistema de Os exames têm sido historicamente outro ponto de contato. O risco vazamentoa utilização de material bibliográfico próprio com “notações” e correção subjetiva por meio de consulta entre júris causou desconfiança. A proposta atual introduz uma mudança revolucionária. forte anonimato e objetividade técnica.

Dividir o teste de resistência em duas etapas atua como um filtro democrático onde apenas a conformidade técnica permite o progresso. Da mesma forma, negar acesso ao próprio material elimina qualquer vantagem comparativa que aqueles que trabalham dentro do sistema possam ter com acesso aos seus próprios registos judiciais ou à jurisprudência interna. Valorizam-se agora a capacidade de raciocínio e a competência prática, áreas onde o advogado de defesa poderá demonstrar o contributo que a sua prática profissional representa para o sistema judicial.

Talvez o avanço mais importante para a nossa comunidade seja a nova estrada para qualificar o histórico. Durante anos, o sistema privilegiou o “mero trânsito burocrático”, concedendo pontos de antiguidade que tornaram quase impossível para um advogado independente competir com funcionários judiciais de carreira.

Além disso, no domínio da “profissão”, o regime anterior tendia a favorecer trabalhadores e funcionários judiciais, enquanto as unidades de advogados foram significativamente reduzidas, sem critérios claros sobre como valorizar o seu trabalho ou como credenciar as tarefas inerentes à sua actividade profissional, especialmente nos casos em que não podem assinar os escritos que redigiram ou elaboraram ou desenvolveram conselhos extrajudiciais de elevada complexidade e importância social. Os novos regulamentos estabelecem diretrizes objetivas que nivelam o campo de jogo. Por exemplo, em competições de julgamento de primeira instância, a escala funcional designa uma pontuação base para cada prática. Um auxiliar de instrução acrescenta 1 ponto por ano, um advogado em exercício profissional efetivo (público ou privado) acrescenta 1,15 pontos por ano. Esta diferença de 15% a favor do exercício profissional é um claro reconhecimento da complexidade e da exigência dos advogados comuns.

Além disso, o custo do desempenho acadêmico da graduação está incluído. Até agora, os esforços realizados na universidade não tiveram nenhum impacto real. O novo regulamento atribui até 10 pontos com base na média geral do graduado e, essencialmente, na posição relativa (decil) do graduado na promoção. Isto premeia a excelência desde o início da formação, permitindo que jovens e talentosos advogados compensem a falta de anos de experiência com uma carreira académica brilhante.

A Constituição Nacional não exige que os juízes sejam “crianças”. sistema judicial; exige que sejam apropriados. Um Poder Judiciário composto quase exclusivamente por pessoas que nunca passaram da ordem dos advogados tende a tornar-se endogâmico, frio e distante da realidade dos cidadãos.

Em As especificações foram recentemente submetidas ao Senado pelo Poder Executivo para a nomeação não há advogado para o cadastramento de novos juízes. Aumentar a percentagem de profissionais independentes que ingressam no poder judicial é essencial para promover uma pluralidade de visões. O advogado traz uma perspectiva pragmática, um profundo entendimento das preocupações dos réus e uma visão ampla do direito que muitas vezes se perde na superespecialização da carreira judiciária. Esta “proximidade” não é apenas física, mas também conceptual; um juiz que já foi advogado entende que por trás de cada caso há uma pessoa esperando uma solução real, e não apenas um escritório de redação.

Como advogados, temos a oportunidade de deixar de ser meros observadores críticos e nos tornarmos protagonistas da transformação do mundo. manutenção da justiça. Este novo regulamento não é apenas um conjunto de regras técnicas. É um convite ao fórum para recuperar o seu lugar no sistema judicial. Ao garantir transparência, anonimato e concorrência leal, o sistema finalmente reconhece que a excelência profissional não tem residência única na Câmara, mas é construída todos os dias em todos os escritórios de advocacia do nosso país. É hora dos advogados aceitarem o desafio e se inscreverem. A justiça e a sociedade precisam disso.

Advogado: Presidente da associação civil “Adar Cause”


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