Ele sempre olhou em seus olhos. Elegante, amorosa e com voz e personalidade únicas, não passou despercebida em cada um dos lugares que visitou. Sua história fez dele um empreendedor. E não qualquer tipo. Um empreendedor social dentre aqueles cuja história pessoal o inspira a tocar a vida de outras pessoas com sua varinha.
Há apenas 40 anos Victoria Campos Malbran de Roma fundou a Associação para a Proteção do Bebê Neurológico (Aedin)uma organização cívica sem fins lucrativos dedicada à educação e tratamento de crianças e jovens com distúrbios neurológicos. Com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida e aumentar seu potencial máximo, desenvolveu um programa inovador.
“Educar e restaurar com amor para uma vida feliz”resumiu há poucos dias ao receber o prêmio VISA LA NACION de inovação. Ele chegou com seu grande sorriso, embora estivesse lutando cautelosamente contra uma doença persistente. “Que alegria poder compartilhar o que fazemos. Precisamos de ajuda para poder ajudar.”ele me disse baixinho em seu estilo único. Aquela que lhe deu fé e força para seguir em frente.
A ideia de Aedin surgiu quando sua filha Maria nasceu com paralisia cerebral e ela começou a trabalhar como voluntária no departamento de neurologia pediátrica de um hospital infantil. “Foi um momento decisivo ver mães segurando seus filhos que não conseguiam andar e nem tinham cadeiras de rodas”.lembrou-se da mulher que criou um centro para os pais irem trabalhar e deixarem os filhos; Foi o primeiro na América Latina. Um lugar com cores, sorrisos, música e o amor ao lar que só ele poderia deixar sua marca. Um lugar que ele criou como um filho e que enfrentou com seu corpo os intermináveis altos e baixos da economia argentina. Um lugar onde se respira dignidade e respeito. Um centro que leva a sua marca em cada detalhe.
A iniciativa foi ampliada. Hoje inclui uma escola e um centro de reabilitação que atende mais de 500 crianças. “É um trabalho árduo pelo qual somos apaixonados e fazemos isso por convicção”, afirma o fundador da Aedin, que precisa de mais investimento de empresas privadas e de pessoas para crescer.
Victoria morreu ontem depois de lutar contra uma longa doença. Mas o seu legado permanecerá intacto.
Filha de Hernando Campos e Mercedes Malbran. O quinto de oito irmãos.
Casou-se com Carlos Rome em 1979 e teve três filhos; Carlos, Vitória e Maria. Ela estudou pedagogia e sempre gostou de meninos a ponto de ter sua própria creche quando era muito pequena. Uma personalidade única, com muita fé e grande sensibilidade para com os outros. Ele adorava música. Ouça e cante junto. Ele cantou muito. Embelezava lugares e coisas. Esse foi outro talento dele.
Hoje os acordes de “La Vie en Rose” são tocados no céu, ele gostou muito do som. “Grande felicidade que se instala, problemas, tristezas desaparecem, feliz, feliz até a morte quando ele me pega nos braços.” Descanse em paz Vitória. E obrigado por mostrar que em um mundo que às vezes é muito hostil, são as pessoas que nos olham nos olhos que fazem a diferença.