MAR DEL PLATA – Uma inundação literal atingiu esta cidade e seus arredores por pouco mais de meia hora, tempo que foi suficiente para saturar as enchentes, inundar ruas de vários pontos da cidade e causar danos significativos devido à entrada de água em algumas casas e carros, que foram superados pelas verdadeiras lagoas que se formaram.
Nas zonas sul do litoral, mais perto do farol, e nas zonas mais baixas, perto do porto, as situações mais críticas têm sido vistas, vividas e, sobretudo, sofridas.
Devido à incerteza de tempestades iminentes neste canto sudeste do estado de Buenos Aires, as chuvas previstas começaram minutos depois das 15h.

A cortina de água logo passou em um ritmo muito intenso e constante, enchendo as ruas em poucos minutos com água acumulada de cumeeira em cumeeira. Mais uma coisa em áreas que são mais baixas e recebem o que vem dos pontos mais altos da cidade.
O fenômeno meteorológico avançou no sentido sul-norte e atingiu primeiro a cidade vizinha de Miramar. Aí, os esgotos ficaram sobrecarregados e a água acumulou-se na zona costeira, sobretudo na zona central.

Conhecendo a experiência anterior, os próprios vizinhos deslocaram os seus carros e atravessaram-nos para bloquear o trânsito e assim evitar que a passagem dos carros provocasse ondas que levam água às zonas e casas daquela zona da cidade.
Em Mar del Plata, algo semelhante aconteceu na entrada sul entre o balneário de Waikiki e o farol, onde o trecho também foi inundado e os carros tiveram que parar para avançar porque corriam o risco de ficar mais da metade do casco submerso.
A situação mais delicada ocorreu em uma área conhecida como La Pote, a leste da Avenida Edison e a cerca de 15 quarteirões do porto. É um distrito que está abaixo do nível geral e recebe toda a água que por ele flui. Desta vez, em volumes significativos, que inundaram ruas próximas, casas e algumas superfícies comerciais em poucos minutos.
O mesmo um pouco mais ao sul na rota Diagonal Gascon, que também ficou inundada e onde vários veículos ficaram presos porque a água entrou nas cabines e prejudicou os motores.
Em outras partes da cidade, mesmo um pouco mais perto do centro, também surgiram verdadeiros canais com água de pavimento em pavimento. Embora a situação ali não fosse grave e não houvesse perigo para as casas, alguns vizinhos, especialmente alguns muito jovens, quase gostaram do facto de se deslocarem não por necessidade, mas por lazer. Outros brincavam com pranchas de surf e até com escavadeiras de isopor.

O período de chuva mais forte coincidiu com o desenrolar da partida entre Aldosivi e Argentinos Juniors no torneio principal da Federação Argentina de Futebol. Apesar das fortes chuvas, o jogo não parou e o público também não saiu, acompanhando o jogo das arquibancadas, virando literalmente cachoeiras por conta da água que descia de cima.
As autoridades de defesa civil do município confirmaram ao LA NACION que têm registo de situações de alagamento na zona sul, mas não há registo de pedidos de evacuação ou assistência social.
Este período de mau tempo pode durar até altas horas da noite, de acordo com as previsões do Serviço Meteorológico Nacional. Não está claro se poderão ocorrer novas chuvas, que complicaram a situação em vários distritos num espaço de tempo muito curto.
Isso seria se essas chuvas acontecessem, no final da semana. Tudo indica que haverá uma melhoria geral do tempo a partir desta quarta-feira, com subida das temperaturas antes do início de um fim de semana muito prolongado. Isso até sábado, altura em que se espera que o frio comece a fazer-se sentir.