Intercâmbio cultural intensivo entre as duas cidades irmãs

Intercâmbio cultural intensivo entre as duas cidades irmãs

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A ideia ainda está em andamento. Sem datas confirmadas nem calendário fixo, a visita a Buenos Aires de Marta Rivera de la Cruz, escritora e atual delegada da área de Cultura, Turismo e Desporto da Câmara Municipal de Madrid, é o primeiro passo para traçar como será a Semana da Cultura de Madrid na cidade.

Com uma carreira anterior no mundo editorial e no jornalismo cultural, Rivera de la Cruz chegou com uma agenda curta, mas intensa. ele estará na cidade por apenas 2 dias, focado em visitar os locais, reunir-se com autoridades locais e conectar-se com o cenário portenha. “O que vou propor é trazer espetáculos do palco madrileno em colaboração com os teatros da cidade”, explica. O projeto, diz ele, está sendo construído a partir de um diálogo com o governo de Buenos Aires, que, como enfatiza, “foi cooperativo, receptivo, cúmplice de tudo isso”.

A data é provisória. o responsável espera que possa ser finalizado até ao outono europeu deste ano, embora reconheça que dependerá de agendas e definições institucionais. Por enquanto, o foco está na exploração de oportunidades. “Essa viagem é só para ver o que pode ser feito, com quem e em que condições”, afirma.

Duas cidades que respondem à cultura

Para além do projeto específico, Rivera de la Cruz enfatiza uma intimidade que considera central: a relação entre as cidades e a sua sociedade. “Você pode programá-lo bem, mas se o público não responder, não adianta muito. E acho que as pessoas de Madrid, Buenos Aires e Buenos Aires são incrivelmente receptivas à oferta cultural”, diz ele.

Marta Rivera de la Cruz espera que a semana cultural de Madrid em Buenos Aires se realize no outono europeu deste ano.Fabian Marelli

Essa resposta, acredita ele, não só define a vitalidade da cena, mas também o tipo de turismo que é gerado. “Quem viaja por motivos culturais é um visitante que se conecta com a cidade de uma forma diferente”, afirma. Nesse sentido, tanto Madrid como Buenos Aires funcionam como destinos onde as atividades culturais fazem parte da experiência urbana, diz Rivera de la Cruz.

Durante a sua estadia, o responsável percorreu algumas das principais zonas culturais de Buenos Aires. À tarde partirá para Malba após encontro com Eduardo Costantini em Madrid. Ele menciona o Teatro Colón como um “ícone”, junto com o Teatro San Martini e a Usina del Arte. Visitou também o Centro Cultural Recoleta, que descreve como um “lugar lindo”, e o Museu de Arte Contemporânea, onde descobriu projetos que poderiam eventualmente viajar para Madrid.

“Buenos Aires é uma cidade imediatamente associada à cultura”, resume. “Você vem, mesmo que seja por outro motivo, e sempre sobra tempo para ir ao teatro, a um concerto ou a uma exposição.”

Antecedentes: Buenos Aires em Madrid

A iniciativa, que está sendo desenhada em Buenos Aires, tem precedente recente. Em 2025, a capital espanhola acolheu a semana cultural “Buenos Aires em Madrid”, que contou com diversas programações em teatros e centros culturais.

O ciclo incluiu atividades teatrais, musicais, cinematográficas e literárias, com propostas que buscavam mostrar a amplitude do cenário portenha. Os espaços participantes incluíram os Teatros del Canal e a Cineteca de Matadero, onde foram realizadas apresentações, encontros e exibições. Um dos eventos mais populares foi o dia dedicado ao tango e à milonga, que reuniu centenas de pessoas ao longo do dia.

“A experiência foi muito boa”, lembra Rivera de la Cruz. “Houve propostas de alta qualidade e o público respondeu muito bem. Isso é o mais importante. Não há nada mais destrutivo do que um grande espetáculo vazio.”

Entre as ideias em avaliação está a possibilidade de agregar artes visuais e combinar a programação com o centenário da Geração 27, que será comemorado em breve na Espanha. Ele também menciona o interesse em incorporar a dança, linguagem que acredita poder desencadear descobertas na sociedade local.

Mais do que um evento específico, ambas as iniciativas fazem parte de um intercâmbio que busca se sustentar ao longo do tempo. “As equipes conversam o tempo todo e trocamos muitas coisas”, explica o dirigente. Como exemplo, cita o trabalho conjunto dos coletivos municipais das duas cidades, que já começaram a compartilhar playlists e arranjos musicais.

Ele argumenta que a lógica é aprendizagem mútua; compartilhar experiências, descobrir o que funciona e o que não funciona e até prever problemas com base no que o outro já passou. “É muito bom que as cidades se comuniquem”, afirma.


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