Durante 2024, Espanha registou 26.345 denúncias de desaparecimentos, segundo o Centro Nacional para os Desaparecidos (CNDES). Desse valor, 36,7% correspondem a idosos, sendo que os homens apresentam maior frequência (58%).
Especialistas da Sociedade Espanhola de Psicologia especializada em desaparecimentos (Seped) alertam que a maioria destes casos envolve pessoas com deficiência cognitiva que podem sair de casa e perder a capacidade de regressar em segurança ou de gerir o seu entorno.
O comprometimento cognitivo é definido como a perda progressiva e irreversível de funções básicas como memória, atenção, orientação e planejamento. A psicóloga Seped Isabel Bermejo Gómez observa que essas habilidades são vitais para a independência cotidiana. Quando mudam, principalmente no caso de patologias como o Alzheimer, o risco de desorientação de uma pessoa fora de casa aumenta significativamente.
Além das doenças neurodegenerativas, fatores sociais como a solidão e a falta de rede de apoio familiar ou profissional aumentam a vulnerabilidade desse grupo, facilitando situações de risco que levam a relatos de desaparecimento.
A detecção precoce de uma pessoa desorientada requer observação cuidadosa do comportamento e do ambiente. Segundo a Seped e a Associação Nacional dos Grupos de Voluntariado de Defesa Civil (ANAV), há indicadores claros de que um idoso pode perder:
A formação de cidadãos e profissionais é a principal ferramenta de prevenção. Um guia de ação rápida elaborado pela Seped e pela Defesa Civil da ANAV estabelece etapas específicas para intervir com segurança e eficácia em suspeitas de desorientação;
Esta estratégia visa garantir que qualquer cidadão possa intervir de forma adequada, evitando que um episódio de desorientação se transforme num desaparecimento de alto risco.
Por Jaider Felipe Vargas Morales