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Na década de 1920, voar ainda era uma aventura. Os aviões eram frágeis, as rotas incertas e o clima poderia atrapalhar as viagens em questão de minutos. Contudo, a aviação criou grande entusiasmo e muitos pilotos foram encorajados a ir cada vez mais longe. Estava entre eles Pedro Leandro Zannique em 1924 assumiu o desafio sem precedentes de voar ao redor do mundo em um avião com seu mecânico, Felipe Beltrame. A campanha, financiada pelo grande interesse da imprensa e pelas contribuições do público, teve um fim inesperado.
“É uma história extraordinária da aviação argentina”, afirma o Cap VGM (RE) Juan José MembranaPresidente do Instituto de Aviação e apaixonado pela história antes de recuperar essa aventura.
– Em que contexto se passa esta aventura?
– Estamos falando das histórias da melhor época da aviação argentina. A Argentina não era apenas um país que começava a voar, mas também um farol que atraiu as pessoas porque a Argentina estava no topo, era a sétima potência do mundo. Para ilustrar, meu pai me contou que sua família na Sicília teve de tomar uma decisão. “Vamos para a Argentina ou para os Estados Unidos?” As pessoas pensavam assim em 1926. Disseram: “Ei, para onde vamos? Vamos para a Argentina ou vamos para os EUA?” E aí se formaram os grandes coletivos, além dos iniciais, que são do final do século XIX.
– Quem foi Pedro Leandro Zanni?
– Zanni é um dos primeiros pilotos militares. Ele pertence à primeira turma de pilotos militares, que na época, em 1912, se chamava Escola de Aviação Militar. Esta Escola de Aviação Militar, que começa em Campo de Mayo, é fruto de um Aeródromo Argentino fundado em 1908. A primeira tentativa de voo de avião motorizado foi feita na Argentina em 1910, pois até então não existiam aviões. Havia balões de ar quente: Pampero, Huracán… Mas não havia aviões. O avião chega aqui no dia 25 de maio de 1910, por ocasião do centenário do grito de liberdade.
– Qual foi o desenvolvimento da aviação naqueles anos?
– Foi muito rápido. O primeiro vôo dos irmãos Wright foi em 1903, um avião que decolou do solo com o auxílio de uma catapulta. Em 1906, Santos Dumont decolou em Paris em seu próprio avião com motor. Ou seja, liga, acelera o motor, passa pela superfície e sai. É realmente o início da aviação para muitos, porque o avião fez tudo o que um avião faz hoje. No caso dos irmãos Wright, é verdade que foram os primeiros a voar, mas com a ajuda de uma catapulta.
– Qual foi o papel de Jorge Newberry neste processo?
-Jorge Newberry foi fundamental. Ao aprender a voar, ele se convence de que o avião tem futuro. Aí ele vai até o Ministro da Guerra, o Ministro da Marinha, conversa com o Presidente e diz: “Olha, senhores, aqui precisamos desenvolver uma força militar especializada em voar, e como fazemos isso? Foi assim que nasceu a Escola de Aviação Militar em 1912 em El Palomar. A grande maioria eram oficiais do Exército, e havia um oficial da Marinha, o primeiro marinheiro a voar, Melchor Escola. Com esse primeiro impulso começa o desenvolvimento da aviação na Argentina. A Marinha adquiriu sua aviação por decreto presidencial em 11 de março de 1916, durante a presidência de Victorino de la Plaza.
– Como continuou o desenvolvimento da aviação após a Primeira Guerra Mundial?
– A Primeira Guerra Mundial paralisou praticamente tudo. Entre 1914 e 1918 havia muito pouco para voar na Argentina – aeronaves muito rudimentares. Direi que são balões motorizados. Quando a guerra terminou, os países europeus que tinham milhares de aviões começaram a enviá-los para diversos lugares. Então, no início de 1919, chegou à Argentina a missão de aviação italiana, que conta com dois componentes: aviação terrestre e naval. A aviação terrestre está localizada em El Palomar, e a aviação naval está localizada em Punta Chica, San Fernando.
Os italianos trouxeram jatos Ansaldo, hidroaviões Macchi e Savoia, além de um bombardeiro Caproni, que era enorme na época.
Quando a missão termina, em novembro de 1919, os italianos dizem: “Bem, pessoal, estamos deixando tudo aqui para vocês”. Saíram dos aviões, dos hangares, até ficaram alguns mecânicos. Foi a doação do rei da Itália ao povo argentino.
– Quem foram os grandes rostos daquele palco?
– Aparecem três aviadores muito importantes: Marcos Zar, Pedro Zanni e Antonio Parodi. Marcos Zar, da Marinha, faz voos históricos. o primeiro vôo de Bahía Blanca para Buenos Aires seguindo a costa e o primeiro vôo de Buenos Aires para Assunção. Por Zanni, ele diz: “Quero atravessar a serra primeiro”. Em 1914, Jorge Newberry morreu num acidente de avião e tornou-se o primeiro herói público nacional. O funeral de Newbury foi espetacular. Todos os jovens da Argentina queriam ser pilotos. É aqui que ocorre a explosão da aviação. Hoje todo mundo quer ser piloto de Fórmula 1 porque vê o Colapinto. Bem, algo semelhante aconteceu com os aviadores naquela época.
– Zanni finalmente conseguiu cruzar os Andes?
– Sim. Zanni cruzou a serra duas vezes em 1920. Junto com seu amigo Parodi, eles saem de Mendoza, vão para o Chile, jogam folhetos de propaganda onde está escrito: “Parabéns ao povo do Chile, aqui chegamos nós, argentinos” e desembarcam novamente em Mendoza. A revista Caras y Caretas colocou-os na capa. E até fazem um tango para eles chamado El Trio. Zar, Zanni e Parodi tornam-se os heróis da juventude argentina de 1920.
– Como surgiu a ideia de dar a volta ao mundo?
– Nesses anos, o irmão mais novo de Pedro Zani, Esteban, que era piloto da Marinha, foi à Europa buscar alguns aviões de treinamento. A partir daí, ele escreve para Pedro e avisa que vai dar a volta ao mundo. Pedro ficou imediatamente entusiasmado com a ideia e pediu ao irmão que descobrisse que aviões poderiam utilizar.
– Mas antes do voo acontece uma tragédia.
– Sim. Em agosto de 1923, Esteban Zanni estava em um vôo de teste em Pisa em um hidroavião Dornier Wal quando o piloto perdeu o controle do avião e eles caíram. Estêvão morre.
– Como Pedro reagiu?
– Foi uma influência enorme porque ele foi seu companheiro e navegador assim como seu irmão.
– O programa ainda está em andamento. Quem ajuda Pedro a se preparar para o voo?
– Nelson Page aparece. Os Pages são uma família norte-americana que imigrou para a Argentina no século XIX. Existem vários na Marinha. Nelson era alferes de fragata e piloto de hidroavião. Paige é responsável por preparar a navegação para todos os voos. Porém, pouco antes de partir, ele contrai uma infecção no tornozelo, precisa de uma cirurgia e não pode viajar.
– Zanni estava sozinho novamente.
– Sim. Você tem que tomar uma decisão. “Estou voando ou não?” E no final decide fazer isso sozinho com seu mecânico, Felipe Beltram.
– Beltraim sabia voar?
– Não. Um mecânico não sabe pilotar um avião, mas sabe mantê-lo. Beltrame sabia de cor o monoplano Fokker de fabricação holandesa que havia sido comprado para uma expedição especial na Europa. Cidade de Buenos Airesum gesto que buscava representar o país na aventura.
– Onde começa o vôo?
– Eles saíram de Amsterdã do aeroporto de Schiphol em 1924. em julho. De lá, eles se mudaram para o Leste, contando com bases britânicas e gregas que sobraram da Primeira Guerra Mundial. Essas bases eram os locais onde podiam carregar combustível.
– Quem financiou a expedição?
– Foi um voo pago por assinatura pública. o estado-nação não investiu pesos. Na esquina de Córdoba com a Flórida, havia barris onde as pessoas depositavam dinheiro. E as pessoas colocam centavos. Com isso, compraram os aviões, pagaram combustível e hospedagem.
– Quanto tempo permaneceram em cada parada?
– Uma noite para dormir, e no dia seguinte continuaram.
Durante a viagem, Zanni manteve um diário de viagem detalhado, que mais tarde foi publicado em livro, descrevendo as dificuldades de voo, escalas e condições meteorológicas que encontraram.
– Qual foi a maior dificuldade da viagem?
– Foi no meio da estação das monções na Ásia. Chuvas tropicais, ventos muito fortes. Eles chegam ao Vietnã, então chamado de Indochina, e a caminho do Japão, o avião cai. eles não veem nenhum tronco na pista, o trem de pouso quebra e o avião cai.
– Voar era muito arriscado naquela época?
– Era muito arriscado voar. Foi realmente uma aventura.
– Como você continua a jornada?
– Eles são chamados de hidroaviões Província de Buenos Aires. Com esse hidroavião, eles chegam a Kagoshima, base aérea naval japonesa. Eles decidem ficar lá por três a quatro meses, aguardando o fim da temporada de monções e testando o avião.
– Eles podem continuar a viagem?
– Outro aviador naval, Evaristo Velo Ipola, vem em seu auxílio. Mas enquanto voam para o norte das ilhas japonesas, uma onda atinge o hidroavião e o avião guarda-chuva.
– Parece um maldito vôo.
– Eles viajaram 14 mil quilômetros. Naquela época, foi o voo mais longo realizado por pilotos argentinos. Mas é aí que a jornada termina. Foi um voo financiado coletivamente e, quando o dinheiro acabou, a viagem acabou.
– O que aconteceu com Zanni e os outros?
– Zanni foi um piloto de destaque da aviação militar argentina. Mas em 1943, quando estava no comando da base de El Palomar, saindo da base para voltar para casa, foi atropelado por um caminhão sem faróis e morreu. Evaristo Velo Ipola continuou servindo e morreu velho. Nelson Page teve o final mais trágico. Procurando por um piloto ferido em Delta, ele caiu e morreu no final daquele ano. Karas e Caretas chamaram toda a história de “As Tragédias da Aviação”.