O que se sabe sobre o caso do cientista argentino acusado de furto qualificado no Brasil?

O que se sabe sobre o caso do cientista argentino acusado de furto qualificado no Brasil?

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BRASIL.- O Campus da Universidade Estadual de Campinas Instituição de última geração (Unicamp), localizada a 100 quilômetros de San Pablo, é frequentemente notícia por seu avanço em inovação e por sua consolidação sistemática como uma das melhores universidades da América Latina. Mas durante semanas, o foco da atenção da mídia não tem sido sua excelência acadêmica, mas sim seu trabalho policial. O cientista argentino apareceu no centro da cena. Soledad Palametta MillerUma mulher de Rosário, 36 anos, que passou de professora promissora na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) o principal suspeito do roubo de material biológico, que mobiliza a Polícia Federal brasileira.

A trama, que mistura supostas ambições comerciais com o manejo imprudente de patógenos altamente perigosos, eclodiu quando a própria universidade relata o desaparecimento de material biológico sensível. Segundo registros do caso, o estabelecimento descobriu as amostras desaparecidas e contatou a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quase um mês antes da prisão do cientista, em 23 de março.

O que inicialmente parecia ser uma infração administrativa se transformou em investigação criminal por suposto furto 24 cepas de vírus diferentes dos laboratórios de segurança máxima do Instituto de Biologia deste centro de treinamento.

Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)Unicamp

Palametta, formado em biotecnologia pela Universidade Nacional de Rosário e doutor em ciências farmacêuticas, ingressou recentemente na Unicamp após concluir lá seu pós-doutorado.

Uma investigação federal que aponta um cientista de Rosário como principal suspeito do roubo é baseada em evidência convincenteCâmeras de segurança da universidade registraram que desde novembro passado ela e seu marido o veterinário e estudante de doutorado brasileiro Michael Edward Miller compareceu a laboratórios de virologia em horários suspeitosraramente. A hipótese central é que o casal transferiu indevidamente as amostras para os freezers da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde a argentina exercia suas funções.

Entre os organismos recuperados estão: Cepas de Dengue, Zika, Chikungunya, Epstein-Barr, Herpes e Coronavíruss, além variantes da gripe, como H1N1 e H3N9. Eles estão todos categorizados em Nível de biossegurança 3destinado a agentes que podem causar doenças graves ou fatais.

A Anvisa e a Unicamp afirmaram no dia 1º de abril que o roubo do material não representava ameaça à saúde pública, uma vez que estava lacrado e congelado quando foi encontrado. No entanto, descobriu-se que Palametta entrou num terceiro laboratório controlado entre 21 e 23 de março, depois de a polícia já ter invadido e isolado o resto das instalações.

A grande incógnita é o que leva os vírus a se moverem. A Polícia Federal investiga agora se a dupla tentou vender as amostras ou utilizá-las para desenvolver um produto privado, hipótese que, segundo revelou o portal de notícias brasileiro G1, está a ser oficialmente analisada pelas autoridades, embora ainda não tenham elementos concretos da venda.

Está no centro das atenções Agrotrix Brasil LTDAuma startup fundada pelo casal. A NAÇÃO revisou dados da empresa revelando detalhes reveladores sobre sua estrutura e ambições. Registrada oficialmente em 14 de maio de 2025, a empresa nasceu com capital social de apenas 1.000 reais, menos de 200 dólares americanos, indicador que contradiz a complexidade dos serviços que oferece.

Apesar do apoio financeiro limitado, a Agrotrix apresenta-se no seu site como uma “Pequena Empresa” dedicada principalmente a pesquisa e desenvolvimento experimental nas ciências físicas e naturais. Suas atividades secundárias declaradas ao órgão fiscal brasileiro incluem: serviços de consultoria agrícola e agrícola até atividades veterinárias, laboratórios clínicos e formação profissional.

Professora Universitária Soledad Palameta Miller

A empresa funcionava oficialmente no âmbito do Parque Tecnológico Unicamp, aproveitando o programa de incubadoras de empresas do centro de ensino superior. Porém, a própria universidade esclareceu que a empresa só tinha autorização para utilização de escritório de coworking, sem autorização para realizar atividades técnico-científicas ou manipular patógenos em suas instalações.

As suspeitas da polícia indicam que Os “vírus transgênicos personalizados” que a dupla propôs para a medicina veterinária poderiam ser baseados em amostras roubadas ilegalmente.

Diante desse panorama complexo, Palametta optou pelo sigilo absoluto. Seu advogado brasileiro, Pedro de Mattos Russo, Anunciou oficialmente que não fará declarações públicas por causa disso segredo resumido pelo decreto de 9ª Vara Federal de Campinasmedida que restringe o acesso aos detalhes processuais para preservar a eficiência do processo.

A NAÇÃO Ele tentou entrar em contato com Palametta pelos números de telefone associados à sua empresa e pelas redes sociais, mas não obteve resposta. Este silêncio coincide com uma perda dramática de apoio institucional. A Faculdade de Engenharia Alimentar desvinculou-se, esclarecendo que a administração destas restrições de alto nível não fazia parte dos seus planos de trabalho, nem estava autorizada pela filiação institucional da faculdade.

Enquanto a Unicamp avança com uma investigação administrativa que pode resultar em seu afastamento, a diplomacia argentina acompanha o caso com cautela. Fontes diplomáticas disseram a este jornal que o Consulado Argentino em San Pablo está em contato constante com o advogado de Palameda para monitorar sua situação jurídica e garantir o devido processo.

Um cientista deve responder acusações de roubo agravado, fraude processual e transporte ilegal de organismos geneticamente modificadoscrimes que acarretam penas severas no Brasil.


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