Amigos de infância, eles se reencontraram já adultos e abriram um restaurante em San Telmo

Amigos de infância, eles se reencontraram já adultos e abriram um restaurante em San Telmo

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Há cerca de 15 anos, quando La Popular de San Telmo abriu suas portas, o bulevar Caseros ainda não era um lugar para turistas que visitam San Telmo, para torcedores do Boca que vêm comer antes ou depois do jogo, e para vizinhos que apreciam a variedade de ofertas gastronômicas.

“Quando éramos crianças, esse quarteirão era o mais feio do bairro”, concordam Diego Sicolli e Ariel Almeida, criadores desta natureza morta “maravilhosa” que dá vida à esquina da Avenida Caseros com a Bolívar, a apenas um quarteirão da Lezama Lezama. Ambos conhecem o bairro. ali cresceram e muitos anos depois, após um encontro casual, decidiram unir as carreiras gastronómicas, até então paralelas, para trazer de volta os sabores e aromas das suas mães e avós.

Com canetas penduradas no teto, pinguins servindo vinho e elementos vintage completando a decoração (TV, toca-discos, telefones antigos), o salão La Popular de San Telmo recebe garçons indo e vindo carregando pratos clássicos em suas bandejas; mais.

Ariel Almeida e Diego Sicolli, amigos e colegasSoledad Aznarez

– Como nasceu o La Popular?

Diogo: – Conhecemos Ariel desde criança. Éramos patinadores. Eu era muito amigo do irmão dele, e ele, que é um pouco mais velho que eu, era uma espécie de ídolo para nós. Mais tarde, quando completamos 18 anos, paramos de nos ver e cada um de nós seguiu carreiras culinárias separadas, sem saber o que o outro estava fazendo. A verdade é que a vida nos obrigou a sermos gastronómicos.

Ariel: – Muitos anos depois, nos reencontramos no clube de tênis, brincando com nossos filhos.

Diogo:– Lá descobrimos que ambos seguimos gastronomia. Ele com um grupo muito importante que era o Downtown Matias e eu com o Novecento do meu lado. Então a vida nos uniu novamente.

– Como era esse cantinho do La Popular quando você era criança?

Diogo:San Telmo morreu aqui mesmo, pois a um quarteirão de distância Caseros termina no parque (Lezama), Barracas começa e a poucos quarteirões de distância está La Boca. Era um lugar sem identidade. Este não foi o trabalho de nenhum dos grupos de patinação que existiam naquela época. Aí você passou por aqui e ficou com medo.

A fachada de La Popular na esquina da Caseros com a BolivarSoledad Aznarez

– E o que estava no canto antes?

Diogo: “Havia um bar chamado Bolívar que ficou fechado por 14 anos. Durante muito tempo funcionou como lugar onde faziam sessões de fotos, depois nada, porque o dono do imóvel era ciumento demais para alugar para qualquer personagem, ele é muito de San Telmo.

– O que te atraiu neste lugar?

Diogo: – Vimos o canto fechado e dissemos a nós mesmos que é uma loucura que seja assim.

Ariel: – Entramos, vimos a carpintaria de madeira das paredes, do chão… “Vamos dar vida a isto”, dissemos a nós mesmos. Queríamos manter o espírito de natureza morta que ela tinha, mas tornamos isso legal, deixamos isso legal. Adoramos isso, somos de San Telmo, nascemos em San Telmo, vivemos em San Telmo a vida toda.

Diogo: – Nos comunicamos com o antigo, o autêntico, o histórico. Se conseguirmos um prato em leilão de algum lugar notável que tenha vida, nós o incluímos em vez de comprar algo novo.

Uma omelete clássicaSoledad Aznarez

– Hoje, o Caseros Boulevard é um centro gastronômico. Como foi quando você abriu, há 15 anos?

Ariel: – Só tinha o Kazeros, o restaurante vizinho.

Diogo: – Foi uma época em que as naturezas mortas de Buenos Aires estavam desaparecendo. Muitos fecharam e muito poucos ficaram tentando sobreviver. Naquela época, depois dos nossos projetos, que eram internacionais, tivemos que voltar às raízes e vimos que as pessoas também precisavam disso. Sentimos muito esnobismo gastronômico. Foi tudo muito bonito, mas no final faltou identidade e eu me cansei disso. Depois pensamos em reavaliar a natureza morta que nos emociona e tem identidade, colocando-a de volta na boca de todos, tornando-a algo que as pessoas queiram voltar.

Ariel: – E não só pela tradição, mas foi muito divertido. Aí começamos a pensar. Como podemos criar uma natureza morta com conteúdo divertido? O que as pessoas comem? Qual é a sua coisa favorita que sua mãe ou avó fez para você?

Diogo: – Pensamos nos sabores que guardam memórias e decidimos preparar um cardápio que teve que superar algo muito difícil: competir com os gostos de mães e avós. Foi muito fácil para eles nos dizerem “bom”, mas também para eles “errado”.

Ariel: – Foi uma aposta que gostamos. Não fazemos coisas simples, adoramos apostar, adoramos conteúdo. E assim começamos com uma oferta de sabores autênticos da La Popular.

Decoração com detalhes vintageSoledad Aznarez

– De onde vieram as receitas?

Diogo: – A mãe da Ariel é muito simpática e ela come muito bem, é uma crítica muito boa. Venho de uma família onde a comida também era o principal. Tenho oito irmãos, as mesas da minha casa nunca serviam menos de oito ou 10 pessoas, às vezes mais de 20. Na minha família tudo acontecia à volta da mesa. O que decidimos foram as receitas que tínhamos em mente.

– Qual foi a reação da sociedade e da vizinhança?

Ariel: – Bom e rápido. Parece que isso faltou no distrito. Abrimos a porta e ela estava cheia de gente.

– Você está em um bairro com muitos bares e restaurantes, o que você acha que eles oferecem de diferente e atrativo?

Ariel: – Acho que La Popular se destaca porque esta casa tem seu próprio anjo. Não procure mais nada. Não é nada e tudo.

Diogo: – É também uma proposta muito relaxante e muito amigável. Idosos, casais e grupos de amigos vêm aqui. E tem uma coisa importante, ou seja, é preenchido tanto no primeiro quanto no último dia do mês. Porque as porções são fartas e dão a oportunidade de partilhar pratos. Vale muito em tempos de crise, por isso as pessoas não param de vir. Estou solvente, estou de volta aos trilhos? “Vamos comer milanesa cada um, pedir um aperitivo, vamos fazer grande.” Agora é apertar o sapato? Milanese compartilhou e ambos saíram comidos.

Um quadro-negro com alguns de seus sucessosSoledad Aznarez

– Quais são os pratos estrela??

Ariel: – A milanesa em todas as suas versões, que temos desde a clássica, napolitana ou fugazzetta à Fiorentina, com espinafres fritos com cebola, alho, natas, leite, parmesão ou chouriço vermelho. Depois as tortilhas. temos cerca de dez no menu.

Diogo: – É disso que as pessoas mais gostam. Agora chega o inverno e colocamos comida na panela: lokro, ensopado, ensopado de lentilha. Tudo é nosso verdadeiro alimento. E lá acontece pior do que com os milaneses, porque cada um tem a sua ideia do que deveria ser a loucura, e começa a discussão sobre o tema, o que é engraçado.

– Hoje as naturezas mortas estão na moda, são abertas todos os dias. Se eu pendurar três canetas, colocar quatro pinguins no balcão e fotos antigas do Boca… isso é uma natureza morta?

Sifões brilham na janelaSoledad Aznarez

Ariel– Para ser uma natureza morta, você precisa de misticismo. Entenda essa mística. É por isso que tantos hoje abrem, fecham, abrem, fecham.

Diogo: – A primeira coisa que uma natureza morta deve ter é o calor humano. Faça com que os garçons reconheçam quem vem comer e, caso contrário, tente reconhecê-los quando se sentarem à mesa. Deixe um link ser criado. Essa é a chave, esse é o ponto de partida para garantir que quem vem comer se diverte ao máximo, que se sinta confortável e capte o espírito do lugar para poder contá-lo.

Ariel: – A alma da natureza morta é tudo o que, juntamente com a música, o tambor, as pessoas que esperam, “pedi primeiro a mesa”, todo o circo que se instala no local. E que seja real, que as coisas tenham histórias. Quando servimos vinho a um pinguim, realmente sentimos isso. Esse pinguim tem uma história. Vemos o rosto do velho que o pediu e com que emoção o aceita à mesa. Há um sentimento aí. Tudo acontece lá.


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