Dezessete anos depois de sua última visita, o retorno CA/CC um Rio Ativou aquele espaço intangível onde o tempo deixa de ser linear. Apesar das mudanças – os tempos, as ausências inevitáveis – há algo no AC/DC que escapa à lógica da obsolescência: uma linguagem direta, física, quase primitiva, que ressoa particularmente bem na Argentina. Já não se trata apenas de um espectáculo antecipado, mas sim de uma espécie de contrato renovado entre a banda e o público, que o toma como seu, como se cada visita fosse uma afirmação de identidade.
A cena se passa naquele cruzamento. aqueles que estiveram lá nos anos noventa e voltam para reviver a experiência fundadora; aqueles que cresceram ouvindo essas histórias como se fossem mitologia doméstica; e aqueles que chegaram pela primeira vez, percebendo que haviam encontrado algo que não se repetiria. Todos, de alguma forma, participam da mesma coisa. uma cerimónia em que as canções funcionam menos como repertório do que como sinal partilhado.
Entre a memória e o presente reside o verdadeiro significado da noite. A forma viva do legado do rock cada vez que entra na “cidade da fúria” traz à tona algo difícil de definir, mas fácil de sentir: a possibilidade de fazer parte da história por um tempo.