O baixo nível de atividade económica começou a ser notado na balança comercial da Argentina, que registou uma queda acentuada nas importações em fevereiro. No segundo mês do ano, face ao mesmo período de 2025, as compras ao exterior diminuíram 11,8%..
Segundo o relatório da Bolsa Comercial Argentina (ICA), publicado pelo Indec, todos os principais bens importados registraram queda no mês. Os combustíveis e lubrificantes ficaram mais baratos em 36,8%; peças e acessórios de bens de capital, 24,9%; bens de capital, 17,6%; automóveis de passageiros, 5,7%; bens intermediários – 4,1%, bens de consumo – 3%.
A rubrica que registou um grande aumento foi “outras importações”, que inclui mercadorias entregues pelos serviços postais (encomendas).. Este é um facto que não surpreende nas condições da actual abertura económica, quando as compras estrangeiras por parte de particulares aumentaram dramaticamente.
O especialista em negócios internacionais Marcelo Elizondo explicou A queda nos volumes de importação se deve à desaceleração da atividademas também disse que a queda nas exportações é surpreendente. “Este ano, o país deverá ter exportações recordes, mas precisará melhorar significativamente desempenho“, ele expressou sua opinião.
Com efeito, as exportações também diminuíram, mas menos que as importações (-2,9%). Foi principalmente o grande declínio nas compras externas que impediu que o declínio nas vendas externas formasse um défice comercial, que: fechou o mês com um excedente de 788 milhões de USD, aumentando em 513 milhões de USD face ao mesmo mês de 2025..
A bolsa comercial também apresentou números vermelhos (exportações mais importações). Produção de vendas externas: 5.962 milhões de dólares e compras no exterior: 5.174 milhões de dólares. Atingiu 11.137 milhões de dólares, o que significa uma diminuição de 7,2% face ao mesmo mês de 2025.
O facto de no segundo mês do ano também ser preocupante O país teve saldo negativo com seus principais parceiros comerciais. Com o Brasil, ele tinha US$ 222 milhões no vermelho; com a China: 640 milhões de dólares; 76 milhões de dólares americanos com a União Europeia e 10 milhões de dólares americanos com os Estados Unidos.
Elizondo comentou que Surpreendentemente, as exportações para a China e a União Europeia estão a aumentar, mas as exportações do Brasil, principal parceiro do Mercosul, estão a diminuir. “Isso está relacionado ao fato de o mercado brasileiro estar cada vez mais competitivo e complexo, principalmente para a indústria automotiva, que é a que mais exporta”, explicou o especialista.
A especialista em comércio exterior Marcela Cristini, da Fundação de Pesquisas Econômicas da América Latina (FIEL), disse que a balança comercial de fevereiro reflete dois aspectos importantes. “Por um lado. um mercado internacional que já não existe desde o conflito no Médio Oriente e, portanto, a categoria de combustíveis e energia está a cair em preço e volume; quando hoje os mercados do petróleo e do gás atingem níveis de preços quase recordes. Por outro lado, A redução das importações de todos os tipos é consequência da diminuição do nível de atividade local afeta a produção e os investimentos”, analisou.
É uma preocupação adicional para Kristini.Redução do comércio bilateral com o Brasil continua apoiando o comércio automobilísticoque também deverá ser modificado no futuro com base no investimento chinês no nosso principal parceiro na produção de veículos elétricos.
Na próxima parte, segundo Cristini. Haverá alterações muito significativas nos preços dos combustíveis e das matérias-primas, embora seja muito provável que a tendência decrescente das importações se mantenha.. “Ambos os aspectos terão como objectivo reforçar a melhoria do saldo final”, concluiu o especialista.