Cabo Verde fez história. Não foi apenas mais um empate. 0 a 0 contra a Espanha na estreia na Copa do Mundo foi marcado por um número que foi mais que o resultado; Josimar “Vozinha” Diasresponsável por transformar a partida num daqueles cartões postais que explicam o futebol a partir da resistência.
Com apenas 40 anos, o guarda-redes cabo-verdiano viveu o seu primeiro Mundial como se esperasse por este momento durante toda a carreira. Cada ataque espanhol encontrou uma resposta ordenada, paciente e quase inevitável. Não houve gestos desnecessários. Era o oposto dele. Houve uma presença. E isso foi o suficiente.
A Espanha monopolizou a bola, colocou o jogo no campo adversário e procurou caminhos. Uma estrada que nunca foi aberta porque a festa nunca foi quebrada. Mesmo quando Lamine Yamal entrou. Todo o jogo era baseado em um limite constante. Vozinha, guarda-redes do Grupo Desportivo de Chaves, equipa desconhecida da segunda divisão de Portugal. Vozinya estava sempre atenta, sempre presente, sempre um passo à frente para ler a peça.
Cabo Verde construiu o seu plano de raiz para resistir, colmatar as lacunas e prolongar o zero o maior tempo possível. Não foi uma demissão, foi tudo parte da estratégia. Apesar do domínio da Espanha, o golo nunca apareceu.
A história de Vozinha deu outra dimensão à primeira surpresa da Copa do Mundo. Profissionalizou-se tarde, fora do circuito de elite, quando assinou por Angola aos 25 anos e iniciou um percurso sem atalhos. Não foi uma subida clássica, mas sim uma corrida lenta, constante e quase silenciosa. Antes de sua estreia na Copa do Mundo.
Nasceu em 1986 e pertence ao pequeno grupo de jogadores que conseguiram disputar o Mundial depois dos 40 anos. Vozinha viajou por diversos destinos do futebol europeu e africano, passando pela Moldávia, Portugal, Chipre e Eslováquia.