Aires del Sur foi declarada falida. A icónica fabricante de aparelhos de ar condicionado Electra and Fedders chegou ao tribunal após uma grave crise financeira, uma tentativa falhada de venda ao capital chinês e um conflito com os trabalhadores.
A falência da empresa foi oficialmente decidida pelo Juizado de Primeira Instância Cível e Comercial nº 1 da Comarca Norte da Terra do Fogo, presidido por Horacio Bocardo.
A decisão judicial, originalmente datada de 22 de abril e publicada hoje no Diário Oficial, ocorreu exatamente após pedido da empresa, que em fevereiro declarou sua impossibilidade de continuar suas operações.
Segundo a administração, que assumiu no final de 2025 após a saída dos irmãos Guaita, a empresa estava se arrastando. “estrutura económica e financeira profundamente deteriorada”marcado pela pré-venda de equipamentos, recebimento de cheques pré-datados, seu desconto financeiro e posterior aquisição de matéria-prima importada para manutenção do ciclo produtivo.
“Os custos financeiros do sistema ultrapassaram as margens operacionais do negócio, causando perdas estruturais que acumularam inviabilidade e prejuízos”, afirmou a empresa em documento judicial.
De acordo com a empresa: O resultado veio após o fracasso das negociações com o grupo chinês Chigo.um dos gigantes globais da área. Aires del Sur buscava um investimento mínimo de US$ 5 milhões em troca da transferência de até 80% da participação.
No entanto, como observaram, o atraso nas definições dos grupos de investimento era inconsistente com a urgência de caixa da empresa, criando um “cenário de inadimplência irreversível”.
A falência da empresa, cujo presidente é Roberto Ceretti, afeta diretamente os 140 funcionários da ilha. O conflito sindical e social atingiu o seu ponto mais alto de tensão em Fevereiro deste ano, quando Os operadores da usina de Rio Grande decidiram assumir as instalações sob o risco imediato de não pagarem salários e de perderem as suas fontes de emprego.
Na época, o Sindicato dos Metalúrgicos (MWU) informou que a fábrica estava paralisada desde dezembro de 2025 e que, no momento da aquisição, os trabalhadores não recebiam salários há quase dois meses. Segundo os representantes sindicais, a empresa não só interrompeu os salários e gratificações, como também interrompeu os canais de diálogo e esteve ausente das audiências convocadas pelo Ministério do Trabalho.
O governador do estado, Gustavo Melella, vinculou diretamente esse cenário à forte queda do consumo interno e à nova política nacional de abertura às importações, que, segundo sua visão, “leva à morte da indústria nacional”. “Todas as fábricas são complicadas porque não há consumo no país”.– ele enfatizou.
Com o reconhecimento da falência, a Justiça nomeou o contador Roberto Pugnaloni como síndico do processo. E: estabeleceu o prazo de 5 de agosto de 2026 para os credores enviarem solicitações de verificação de crédito e títulos apropriados.
À disposição do tribunal estava uma planta industrial de 15 mil metros quadrados em Rio Grande e cerca de 4 mil embalagens de produção armazenadas no porto de Buenos Aires, ativos que a empresa espera cobrir seus passivos.