Durante décadas, a construção foi contada e pensada em termos masculinos. Imagens que tradicionalmente representavam a indústria mostravam empregos, capacetes e equipes formadas quase exclusivamente por homens. Contudo, a transformação do sector hoje não é apenas tecnológica ou ambiental, é também cultural.
Sempre que uma mulher assume uma função operacional numa fábrica, dirige uma misturadora ou lidera uma equipa técnica, ela não é apenas um emprego. Expanda o horizonte. Desafie a ideia estabelecida. E acima de tudo, possibilita novas conversas internas e externas.
Falar de género na indústria não deve ser um gesto simbólico reservado para o dia 8 de março. Deve fazer parte de uma discussão mais profunda sobre competitividade, inovação e sustentabilidade. Porque diversidade não é um slogan. É uma condição para o desenvolvimento.
Nós que fazemos parte dela sabemos que o desafio hoje é mais amplo. trata-se de criar progresso para as pessoas e para o planeta, e isso só é possível se incluirmos todas as perspectivas, se expandirmos as oportunidades e se compreendermos que o desenvolvimento sustentável começa com a forma como gerimos o nosso próprio talento.
As indústrias que têm sido historicamente homogéneas enfrentam uma grande incerteza: como atrair e desenvolver talentos num contexto em mudança, como responder a exigências sociais cada vez mais complexas e como inovar processos que permaneceram estáveis durante anos. Neste cenário, integrar mais mulheres, sobretudo diferentes perspectivas, não é apenas uma questão de justiça. É uma decisão de negócios e uma vantagem competitiva para aqueles de nós que buscam liderar de forma sustentável.
À medida que a base de decisores se expande, também aumentam as perspectivas a partir das quais os problemas são analisados. Equipas diversificadas tendem a antecipar melhor os riscos, a compreender as suas comunidades mais profundamente e a desenvolver soluções mais criativas. Mas para que isso aconteça é preciso mais do que boas intenções. é preciso criar ambientes onde as pessoas queiram se desenvolver e se projetar.
A verdadeira mudança cultural começa quando uma organização se propõe a criar o melhor local de trabalho para as pessoas. Um espaço onde se promove o talento e se celebra a diversidade, e onde a saúde e a segurança são uma prioridade. Numa indústria como a da construção, este compromisso é especialmente relevante. garantir ambientes seguros e inclusivos é uma condição fundamental para que mais mulheres entrem, permaneçam e cresçam.
No entanto, nenhuma mudança estrutural ocorre automaticamente. Requer intencionalidade, políticas específicas e consistência ao longo do tempo. Inclui revisão de processos seletivos, repensar modelos de liderança, criação de redes de mentoria e criação de planos de carreira que considerem diferentes etapas da vida profissional. Também requer tornar os links visíveis. Quando há poucas mulheres em determinadas áreas, muitas jovens não se imaginam lá. Mostrar histórias reais e caminhos possíveis não é um gesto simbólico; é uma ferramenta poderosa para ampliar aspirações e quebrar estereótipos que ainda existem.
Assim, a igualdade de género não é um objectivo isolado ou uma tendência passageira. Faz parte de uma visão estratégica de como construir empresas mais resilientes, mais humanas e mais bem preparadas para o futuro.
Num contexto desafiante para as organizações e para o país, apostar na diversidade pode parecer uma questão secundária. Mas é precisamente em cenários complexos que se torna mais evidente que as empresas que integram diferentes perspetivas têm melhores condições para se adaptarem e se desenvolverem.
Já não é uma questão de saber se o sector deve abrir-se à diversidade. A questão é se você pode garantir o seu futuro ignorando-o. Porque construir não se trata apenas de elevar estruturas, também o incentiva a transformar os alicerces sobre os quais essas estruturas assentam. E essa transformação sempre começa pelas pessoas.
Por Claudia Vitale, Chefe de Talentos e Desenvolvimento Organizacional da Holcim Argentina